A Caixa Asset, braço de gestão de investimentos do banco público, iniciou os preparativos para estruturar e lançar seus primeiros fundos imobiliários ainda este ano. A estratégia visa posicionar a instituição como uma gestora de ativos imobiliários, focando principalmente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) para diversificar o portfólio e conectar investidores às necessidades de crédito do setor de construção civil no Brasil.

Estratégia de atuação e parcerias
O diretor-presidente da Caixa Asset, Ricardo Rios, confirmou que a nova estratégia busca uma atuação mais robusta no mercado de real estate. Diferente de iniciativas pontuais realizadas no passado, o objetivo atual é consolidar a gestora como uma referência no setor. A composição dos fundos será majoritariamente em CRIs, mas também incluirá Letras de crédito imobiliário (LCIs) e outros ativos de maior liquidez para garantir a gestão de caixa.
Para viabilizar a operação, a Caixa Asset está em discussões semanais com três gestoras parceiras: RB Asset, TG Core e RBR. A escolha dessas instituições foi baseada na capacidade técnica e no histórico de resultados financeiros. Enquanto a Caixa definirá a política de investimento, as parceiras ficarão responsáveis pela seleção de ativos e pela origem dos recebíveis, permitindo uma estrutura de governança compartilhada.
Conexão entre investidores e construção civil
A iniciativa surge em um momento em que as empresas de construção civil enfrentam uma demanda crescente por captação de recursos. Ao estruturar esses fundos, a Caixa pretende atuar como um elo, unindo o interesse de investidores que buscam rentabilidade com a necessidade de funding habitacional. Esse movimento é visto como uma forma de ampliar os instrumentos de Crédito Imobiliário no país, utilizando o mercado de capitais como alavanca.
A gestão dos fundos focará na pulverização de ativos para mitigar riscos, abrangendo diferentes tipos de crédito e regiões geográficas. O potencial de crescimento é significativo, considerando que o estoque total de fundos imobiliários listados na B3 superou R$ 180 bilhões em 2025, com uma base de cerca de 3 milhões de investidores. Para entender como o cenário macroeconômico afeta o setor, é importante acompanhar como o Tesouro Reserva impacta captação da poupança e crédito imobiliário, influenciando a disponibilidade de recursos para o mercado.
Cenário econômico e perspectivas
O momento é considerado oportuno pela diretoria da Caixa Asset, especialmente diante da tendência de queda na taxa básica de juros, a Selic, que iniciou um ciclo de cortes em março. A flexibilização das normas de financiamento habitacional, implementada pelo governo federal, também contribui para um ambiente mais favorável ao uso de recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) em novas aplicações.
A instituição reforça que, embora continue operando o crédito imobiliário tradicional via poupança e FGTS, a criação dos fundos imobiliários atende a uma demanda específica de mercado. A expectativa é que a diversificação dos instrumentos de captação ajude a reduzir o déficit habitacional e impulsione novos projetos de construção em todo o território nacional.
Fonte: Redir