Uma quadrilha especializada causou um prejuízo estimado em R$ 12 milhões em Jurerê Internacional, Florianópolis, ao utilizar indevidamente a conta Gov.br de proprietários de imóveis. O esquema envolvia o acesso a assinaturas digitais para transferir terrenos para empresas de fachada e realizar vendas rápidas abaixo do valor de mercado. A Polícia Civil de Santa Catarina desarticulou o grupo em uma operação que cumpriu mandados em sete estados, revelando um sofisticado método de estelionato que combina invasões digitais com a falsificação de documentos físicos.
Como funcionava o esquema de fraude imobiliária
A investigação policial apontou que os criminosos obtinham acesso às credenciais das vítimas, provavelmente por meio de técnicas de phishing ou engenharia social. Com o controle da conta Gov.br, os fraudadores utilizavam a assinatura digital para incluir os proprietários dos terrenos como sócios de transportadoras sediadas no Ceará. Uma vez integralizado ao capital social dessas empresas, o imóvel era vendido a terceiros.
Além da manipulação digital, o grupo recorria a procurações falsificadas, supostamente emitidas por cartórios cearenses, para lavrar escrituras públicas. Essa combinação de ferramentas digitais e documentos forjados permitia que as propriedades fossem transferidas sem o conhecimento dos verdadeiros donos. Para quem busca segurança jurídica ao negociar propriedades, é fundamental entender os sistemas de crédito e modalidades de financiamento imobiliário, que exigem rigorosa conferência de documentos.
Operação policial e desarticulação da quadrilha
A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou uma operação para encerrar as atividades do grupo, cumprindo 18 mandados de busca e apreensão e dez de prisão temporária. As ações ocorreram simultaneamente em cidades como Fortaleza, Manaus, Goiânia e Boa Vista. Os envolvidos responderão por crimes de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem somar até 21 anos de reclusão.
Especialistas em tecnologia da informação reforçam que não houve falha de segurança ou vazamento de dados na plataforma do governo federal. O acesso indevido ocorreu porque os criminosos possuíam as chaves de acesso corretas das vítimas. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos esclareceu que a assinatura eletrônica do Gov.br não possui validade para atos de transferência e registro de bens imóveis, o que indica que os cartórios envolvidos também foram alvos da falsificação documental.
Medidas de proteção para o proprietário
Para evitar ser vítima de golpes dessa natureza, especialistas recomendam que os usuários elevem o nível de segurança de suas contas digitais. A migração para o nível ouro no Gov.br, aliada à ativação da verificação em duas etapas, é essencial. Além disso, nunca compartilhe senhas e evite utilizar a mesma credencial em diferentes serviços online.
Caso identifique qualquer movimentação suspeita em seus bens ou documentos, o proprietário deve registrar um boletim de ocorrência imediatamente. A vigilância sobre a documentação do imóvel e a consulta periódica à matrícula no Cartório de Registro de Imóveis são práticas recomendadas para identificar possíveis irregularidades antes que o prejuízo se torne irreversível.
Fonte: Portas
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