Antigas agências bancárias são transformadas em academias de ginástica em contexto de Mercado Imobiliário Antigas agências bancárias são transformadas em academias de ginástica em contexto de Mercado Imobiliário

Antigas agências bancárias são transformadas em academias de ginástica

Antigas agências bancárias estão sendo transformadas em academias de ginástica. Entenda como fundos imobiliários adaptam imóveis para o setor de bem-estar.

O mercado imobiliário brasileiro atravessa uma transformação significativa com a conversão de antigas agências bancárias em espaços voltados ao bem-estar, como academias de ginástica. O fundo imobiliário RBVA11, gerido pela Rio Bravo, exemplifica essa tendência ao anunciar a locação de dois imóveis anteriormente ocupados pelo Santander, na Avenida Paulista e em Santa Cecília, em São Paulo, para a rede Ultra Academia. Essa mudança reflete a adaptação dos ativos de varejo às novas demandas de consumo, que priorizam experiências e saúde em detrimento da estrutura bancária tradicional.

A nova ocupação de imóveis comerciais

A transição de agências bancárias para unidades de academias marca uma mudança estrutural no portfólio de Fundos Imobiliários. Com a digitalização dos serviços financeiros, a necessidade de grandes espaços físicos para atendimento bancário diminuiu, permitindo que esses imóveis, muitas vezes localizados em pontos estratégicos, recebam novos inquilinos. A Ultra Academia, rede fundada em 2021, utiliza o modelo de big gym, que exige áreas amplas, superiores a 1.000 metros quadrados, características que se alinham perfeitamente às estruturas das antigas agências.

O imóvel da Avenida Paulista, com cerca de 2.800 metros quadrados, destaca-se pela visibilidade e proximidade com o transporte público, funcionando como uma unidade de referência para a rede. Já o espaço em Santa Cecília, com 2.000 metros quadrados, aproveita a verticalização e a disponibilidade de estacionamento. Segundo a gestão da Rio Bravo, essa é a maior locação em volume financeiro nominal já realizada pelo fundo, evidenciando o potencial de valorização desses ativos quando adaptados para o setor de serviços.

Diversificação e resiliência do setor de bem-estar

A estratégia de reciclagem de portfólio do RBVA11 começou a ganhar força em 2018, visando reduzir a dependência de um único locatário. Ao longo dos últimos anos, o fundo realizou cerca de 30 transações, vendendo ativos bancários e reinvestindo em Imóveis ocupados por empresas de diversos segmentos, como farmácias e varejo. A exposição ao setor de bem-estar, que agora representa mais de 5% do portfólio, demonstra a resiliência desse segmento mesmo em cenários de juros elevados, impulsionado por mudanças comportamentais e pelo envelhecimento da população.

Enquanto o mercado busca entender as dinâmicas de valorização, é importante observar como outros fatores macroeconômicos influenciam o setor. Para investidores e interessados no mercado, acompanhar o preço do metro quadrado é fundamental para compreender a viabilidade de novos investimentos e a desaceleração de certas regiões. A transformação de agências em academias não é um fenômeno isolado; nos Estados Unidos, estabelecimentos de saúde e bem-estar já ocupam mais de 50% da área de imóveis comerciais, um patamar que o Brasil começa a seguir.

Impacto na gestão de fundos imobiliários

A decisão de desocupar espaços que se tornaram grandes demais para o padrão atual dos bancos — que hoje buscam agências de cerca de 300 metros quadrados — abriu caminho para uma gestão mais eficiente. O RBVA11, que já teve a Caixa como locatário principal, hoje possui uma carteira diversificada com cerca de 80 imóveis. A entrada da Ultra Academia reforça a tese de que agências bancárias são, essencialmente, imóveis de varejo versáteis, capazes de abrigar restaurantes, farmácias e centros de treinamento.

Fonte: Exame

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