A incorporadora Plano&Plano anunciou uma mudança estratégica em seu portfólio, voltando a priorizar empreendimentos na Faixa 1 do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) em São Paulo. O objetivo central da companhia é impulsionar a velocidade de vendas, que apresentou retração no primeiro trimestre deste ano, atingindo 51,1%. Com a atualização recente dos tetos de renda e valor dos imóveis, a empresa busca contornar desafios urbanísticos e retomar a competitividade em um segmento de alta demanda habitacional, ajustando seu planejamento para os próximos ciclos de lançamentos.
Desafios e oportunidades na Faixa 1 do MCMV
A decisão da Plano&Plano de retomar investimentos na Faixa 1 ocorre em um cenário onde a demanda por habitação popular permanece aquecida, embora a oferta ainda enfrente gargalos. Historicamente, as regras urbanísticas e as exigências de metragem mínima em São Paulo tornaram a viabilidade econômica desses projetos mais complexa em comparação aos estúdios, que ganharam espaço no Plano Diretor da capital paulista.
A atualização do teto das faixas do programa, que agora contempla famílias com renda mensal de até R$ 3.200 e imóveis com valor de até R$ 275 mil, surge como um fator determinante para a viabilidade financeira dos novos projetos. Essa medida permite que incorporadoras ajustem seus custos e margens, tornando a construção de unidades voltadas para a baixa renda novamente atrativa para o Mercado Imobiliário.
Estratégia para 2026 e gestão de estoque
Além do foco na Faixa 1, a Plano&Plano projeta concentrar uma parcela significativa de seus lançamentos de 2026 na Faixa 2 do Minha Casa Minha Vida, destinada a famílias com renda entre R$ 3.200 e R$ 5.000. Este segmento é reconhecido como um dos mais competitivos do setor em São Paulo, exigindo alta eficiência operacional das empresas envolvidas.
A companhia busca alavancar seus lançamentos em um patamar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão para 2026, utilizando seu atual banco de terrenos (landbank) e o fluxo de aprovações em curso. O controle do estoque é outro ponto de atenção: ao final do primeiro trimestre, a incorporadora registrou um estoque de R$ 3,9 bilhões, representando um aumento de 19% na comparação anual. Em termos de unidades, o volume atingiu 11.765 apartamentos, sendo que a grande maioria ainda está em fase de construção, com apenas 1,2% das unidades prontas para entrega imediata.
Impacto operacional no mercado imobiliário
A velocidade de vendas da Plano&Plano, que chegou a 58,5% no mesmo período do ano anterior, recuou para 51,1% no primeiro trimestre de 2025. A empresa aposta que a diversificação entre as faixas do programa habitacional, aliada à sua experiência operacional, será suficiente para reverter essa tendência e otimizar a liquidez de seus ativos. Para quem busca entender o cenário de valorização e desenvolvimento urbano, é fundamental acompanhar como as dinâmicas locais influenciam a valorização de imóveis em diferentes regiões metropolitanas.
Fonte: Portas
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