Balneário Camboriú registrou uma mudança significativa no mercado imobiliário em maio de 2026, perdendo a liderança nacional do metro quadrado mais caro para Itapema. Com uma valorização de apenas 2,94% nos últimos doze meses, o desempenho da cidade ficou abaixo da inflação de 5%, sinalizando um novo momento para o setor de alto padrão. O cenário atual reflete um teste de resiliência para os grandes empreendimentos, enquanto investidores observam a migração de capital para novas fronteiras no litoral catarinense.
Desaceleração da valorização imobiliária
O mercado de Balneário Camboriú, historicamente marcado por recordes de preço, enfrenta um período de ajuste. Dados do FipeZap indicam que a valorização acumulada entre maio de 2025 e maio de 2026 foi de 2,94%, um patamar que não acompanhou o avanço da inflação. Este resultado coloca a cidade em uma posição atípica, sendo o terceiro pior desempenho entre as 56 localidades monitoradas pelo índice no período.
A perda da liderança para Itapema reflete uma mudança na dinâmica de demanda. Enquanto Balneário Camboriú consolidou seu nome com arranha-céus icônicos, a saturação de terrenos e o patamar elevado de preços levaram parte do capital especulativo a buscar oportunidades em cidades vizinhas, onde o potencial de valorização futura ainda é percebido como mais atrativo.
O papel do Senna Tower no mercado de luxo
Mesmo com a desaceleração, a cidade mantém projetos de grande escala, como o Senna Tower. Com 550 metros de altura e 157 andares, o empreendimento da FG Empreendimentos exemplifica a estratégia de branded residences. Com unidades de entrada custando cerca de R$ 28 milhões, o projeto busca sustentar o valor de mercado através de prestígio e exclusividade. O VGV estimado em R$ 8,5 bilhões demonstra a confiança das Incorporadoras no segmento de altíssima renda, apesar do cenário macroeconômico mais cauteloso.
A força dessas marcas internacionais, como as parcerias com grifes de luxo, é um pilar fundamental para justificar os preços praticados. No entanto, a sustentabilidade desse modelo depende da manutenção de uma narrativa de escassez e prestígio, que agora enfrenta o desafio de um mercado mais seletivo.
Modelo de financiamento próprio e investimento
Um diferencial importante do mercado local é a estrutura de vendas. Mais de 90% das transações da FG Empreendimentos são realizadas diretamente com a incorporadora, sem a necessidade de financiamento bancário tradicional. Esse modelo, que utiliza parcelamentos longos e permutas por imóveis, terrenos e veículos, amplia o leque de compradores e investidores.
Estima-se que entre 50% e 60% das aquisições na cidade tenham como objetivo o investimento. Para quem busca entender as movimentações do setor, é importante acompanhar como as empresas adaptam suas estratégias, similar ao que ocorre quando o Bradesco amplia crédito para incorporadoras e mantém otimismo com setor, garantindo fôlego para novos lançamentos.
Fonte: Portas