A intenção de compra de imóveis no Brasil alcançou 49% da população no primeiro trimestre de 2026. Mesmo diante de um cenário de juros elevados e endividamento familiar, o setor imobiliário mantém resiliência. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica confirmam que a estabilidade do mercado de trabalho e o aumento da renda média nacional são os motores desse interesse, consolidando um dos maiores patamares da série histórica.
Cenário econômico e confiança do consumidor
O mercado imobiliário brasileiro demonstra uma capacidade notável de adaptação aos desafios macroeconômicos. Com uma taxa de desemprego situada em 6,1% e o rendimento médio mensal real alcançando R$ 3.367, as famílias encontram segurança financeira para planejar investimentos de longo prazo. Esse otimismo reflete diretamente na intenção de compra, que oscila entre 49% e 50% desde meados de 2024, superando significativamente os 44% registrados no mesmo período do ano anterior.
Especialistas observam que a base sólida de trabalhadores com maior poder de compra sustenta a demanda, mesmo com o custo do crédito elevado. A estabilidade da renda real atua como um fator determinante, evitando que o consumidor brasileiro postergue o projeto da casa própria. A resiliência observada no primeiro trimestre de 2026 indica que o apetite do brasileiro por ativos imobiliários permanece firme, sendo impulsionado por um mercado de trabalho que, apesar dos desafios, oferece condições para que o planejamento imobiliário continue em pauta.
Perfil e motivações dos interessados
A pesquisa traz detalhes sobre o comportamento do consumidor, revelando que 14% dos interessados já realizam a busca ativa por um novo lar. Deste grupo, 9% utilizam plataformas digitais para filtrar opções, enquanto 5% optam pela visita presencial. O horizonte temporal para o fechamento do negócio demonstra cautela e planejamento: 29% pretendem adquirir o imóvel em até um ano, ao passo que 39% projetam a efetivação da compra entre um e dois anos.
Quanto às preferências arquitetônicas, as casas de rua mantêm a liderança da lista com 47% da preferência, seguidas de perto por apartamentos, que somam 35%, e casas em condomínios, que representam 14% das intenções. A motivação primária permanece inalterada: a moradia própria é o objetivo de 83% dos entrevistados. O desejo de encerrar o período de aluguel configura-se como o gatilho principal para 38% desse público, evidenciando que o valor gasto mensalmente com locação é convertido como um fator de pressão positiva pela busca da aquisição definitiva.
O papel estratégico do Minha Casa, Minha Vida
O programa Minha Casa, Minha Vida desempenha uma função central na manutenção desses índices positivos. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o programa foi responsável por 49% de todas as vendas de imóveis no país, totalizando 54.510 unidades comercializadas. A recente atualização nos tetos de financiamento, elevando o valor máximo do imóvel para R$ 600 mil na Faixa 4, deve ampliar ainda mais o alcance do programa, facilitando o acesso para famílias de renda média que encontravam barreiras em segmentos superiores.
Fonte: Superfeed Imóveis BR
Fonte: Exame
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