A 6ª edição da Pesquisa de Precificação de Projetos no Brasil 2026, realizada pela AltoQi, revela que a tecnologia BIM tornou-se o pilar central na definição de custos e valor estratégico na construção civil. Com a adoção da metodologia saltando para 72,01% entre os profissionais, o setor abandona a precificação baseada apenas em metragem para focar em complexidade técnica e inteligência construtiva. Este movimento visa reduzir desperdícios, mitigar retrabalhos e preparar o mercado para a industrialização das obras, em um cenário onde a escassez de mão de obra qualificada pressiona a produtividade nacional.
A ascensão do BIM na engenharia brasileira
O levantamento, que ouviu 886 profissionais de arquitetura e engenharia, aponta uma mudança drástica na última meia década. Em 2021, o uso da metodologia Building Information Modeling (BIM) era de 47,3%, índice que subiu para 72,01% em 2026. Essa transição tecnológica não é apenas uma atualização de ferramentas, mas uma mudança na lógica de entrega de valor. Projetos deixaram de ser vistos como exigências documentais para se tornarem ativos estratégicos que garantem a previsibilidade financeira da obra.
A integração de disciplinas, facilitada pelo BIM, permite que projetistas falem uma linguagem comum, garantindo que sistemas elétricos, hidrossanitários e estruturais se encaixem com precisão milimétrica. Para quem busca entender as dinâmicas de mercado e o valor dos ativos, o setor imobiliário segue em constante evolução, assim como se observa em imóveis de alto padrão que chegam ao mercado.
Complexidade técnica define novos preços
A pesquisa da AltoQi destaca que a metragem quadrada deixou de ser o único balizador de preços. Atualmente, elementos como grandes vãos, subsolos, contenções e sistemas especiais impactam diretamente o valor cobrado pelos profissionais. Em projetos estruturais, por exemplo, a média nacional para edificações comerciais atingiu R$ 34,5 por metro quadrado, superando significativamente os valores praticados em residências unifamiliares.
Essa disparidade reflete a exigência por maior detalhamento e compatibilização em obras corporativas. Profissionais do setor reforçam que a complexidade técnica é o fator determinante para a viabilidade econômica de um empreendimento, exigindo que projetistas possuam especializações multidisciplinares, com uma média atual de 3,22 especialidades por profissional.
Industrialização e o futuro da construção
O setor enfrenta um gargalo histórico: em 2025, 82% das empresas relataram dificuldades na contratação de mão de obra qualificada. A solução apontada por especialistas é a industrialização da construção, que depende diretamente da digitalização dos projetos. A produção off-site, onde componentes são fabricados em ambientes controlados e apenas montados no canteiro, exige um nível de precisão que apenas o BIM pode oferecer.
Essa mudança de paradigma tende a elevar a massa salarial dos trabalhadores, que precisarão de maior especialização técnica para operar em um modelo de montagem industrial. A transição para esse modelo produtivo é vista como a única saída para aumentar a produtividade de um setor que emprega mais de 3 milhões de brasileiros, mas que ainda sofre com a baixa eficiência histórica.
Fonte: Exame
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